Qi Sisi renasceu em 1984. No dia do casamento, a hora auspiciosa já tinha passado, e o noivo ainda não dava sinal de vida. Os convidados estavam tão aflitos quanto formigas em uma panela quente, mas a
Noite de núpcias.
Qi Sisi despertou encostada ao pilar da cama e, ao abrir os olhos, tudo o que viu foi vermelho.
À luz amarelada das velas, o calendário antigo sobre o criado-mudo indicava que era domingo, 24 de junho de 1984, dia propício para unir-se em casamento.
No centro da parede havia um enorme retrato de Mao Tsé-Tung; aos lados, dois caracteres vermelhos de felicidade, menores, mas igualmente vistosos.
No teto, tiras de seda colorida haviam sido coladas com cola, e tanto na estante quanto na janela estavam afixados grandes ideogramas vermelhos de felicidade, dando ao ambiente um ar de festa e auspicioso júbilo.
No canto, havia uma máquina de costura; ao lado, um suporte de madeira para bacia, e duas bacias de esmalte recém-compradas, em vermelho vivo, com o desenho de um casal de patos mandarins.
Pelo espelho de corpo inteiro do guarda-roupa, Qi Sisi viu a si mesma.
Vestia uma roupa nupcial vermelha, com duas tranças grossas e, no rosto, uma camada pesada de base que a deixava branca como quem já estivesse para ser enterrada.
O blush exagerado nas faces lhe dava um aspecto quase desastroso.
Juntando o cenário ao que via, não era difícil adivinhar: será que ela... renascerá na própria noite de núpcias?
Ao pensar no que aconteceria em seguida, Qi Sisi sentiu um súbito nojo de si mesma, parecendo mais uma palhaça.
Sentou-se diante da penteadeira e, com uma toalha molhada, esfregou com força a maquiagem do rosto.
A toalha branca foi ficando rosada e depois esbranquiçada, num tom indefinido.
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