A professora universitária Qin Shuangshuang, que falava seis línguas estrangeiras, morreu subitamente em sala de aula e foi parar no corpo de outra Qin Shuangshuang, de 1984, com o mesmo nome e sobren
A voz de uma mulher, carregada de fúria, rugiu junto ao ouvido de Qin Shuangshuang, e ela despertou atordoada, sem entender nada.
Ela estava dando aula aos alunos há pouco; como foi parar ali?
E por que aquela mulher, com o rosto tomado de ressentimento, apertava com tanta força o ponto entre o nariz e o lábio dela? Era para salvá-la ou para alimentá-la de ódio?
A pressão era tão brutal, a força tão grande, que até uma pessoa viva podia ser sufocada por aquele aperto.
Maldição! Estavam pensando que ela era fraca?
Não importava a situação: primeiro, um tapa bem dado. Quem é que aperta o ponto vital de alguém desse jeito?
Estavam tentando matá-la?
Pois veriam se ela concordava. Num movimento brusco, ergueu a mão e estalou um tapa no rosto deformado de raiva da mulher.
O som foi alto e seco.
Qin Shuangshuang ainda achou pouco e, usando suas línguas mais afiadas — inglês, espanhol, russo, francês, alemão e japonês — soltou de uma vez o xingamento que mais costumava usar.
Imundície.
Por que os alunos da Faculdade de Línguas Estrangeiras da Universidade de Kyoto gostavam tanto de assistir às suas aulas? No fim das contas, era porque ela sempre se misturava com eles e, não raro, os repreendia com essa palavra.
Eles não se ofendiam; pelo contrário, revidavam na mesma moeda. Professores e alunos eram todos a mesma imundície, ninguém era mais nobre do que ninguém.
— Ah! Qin Shuangshuang! O que você está fazendo? — A mulher, levando a mão ao rosto, soltou o aperto e a encarou com os olhos em chamas. — Eu