O tempo jamais fala, mas responde a tudo; eu nunca falo, mas vocês dizem que sou mudo.
Ao tomar a pena, sinto no coração mil pensamentos que não consigo exprimir. Antes, ainda conseguia escrever e registrar um pouco; agora, muitas vezes, já não sei por onde começar. As ideias se acumulam, mas não encontram lugar onde pousar. Depois de incontáveis voltas e reviravoltas, tudo acaba por retornar ao ponto de partida. Nem um traço da escrita consegue varrer a confusão do íntimo, e o deslizar da ponta da pena tampouco traduz o meu eu interior.
Neste mar de névoa, escondo-me no próprio nevoeiro, fingindo desaparecer do olhar alheio. Entrego-me a ele, explorando passo a passo o caminho à frente. Acompanhado pela bruma, avanço para a montanha; árvores e ervas silvestres crescem em profusão, e pouco me importam as barras das calças encharcadas. Entre paradas e caminhadas, contemplo as lagoas sob meus pés e me sinto como se estivesse num paraíso.
Às vezes vagueio, às vezes detenho-me. Como uma libélula tocando a água, como uma borboleta saltando. Vejo o ganso solitário pousado no alto de um galho, e dois grous seguindo juntos. O canto das aves entra-me pelos ouvidos, enquanto o sol da manhã rompe a névoa aos poucos. Sem olhares de multidão, sem aplausos e aclamações, sem a expectativa de ninguém; apenas a brisa me acaricia o rosto em saudação, e os pássaros me recebem em cântico. Não há cores deslumbrantes; é como se algo divino já pendesse, silencioso, no alto do céu. Quando o espírito não se move, a imagem sagrada não soa; em sua vastidão, tudo repousa com naturalidade, sozinho e ereto. Três caracteres, duas linhas; e o tempo vai correndo. No caminho de