Meu nome é Ruan Zhu. Eu odiava aquela eu mesma que viveu a vida inteira pelos sete irmãos mais novos e, no fim, acabou sem ninguém para recolher meu corpo. Meu nome é Ruan Zhu. Abandonada por deuses
Em julho, o calor era insuportável.
Ruan Zhu acabara de voltar do campo com a enxada às costas e estava parada no pátio, sem ter tempo sequer de enxugar o suor da testa.
De dentro da casa veio um brado áspero e furioso.
— Ruan Zhu! Você não tem coração?!
— Aquele Lu Yanzhe da família Lu voltou do serviço militar há meio mês, e além de ter quebrado a perna, continua inconsciente.
— Você, como irmã de Yanran, como nossa irmã mais velha...
— Vai mesmo ter a coragem de ver a nossa irmãzinha, a quem mimamos desde criança, casar e viver na viuvez pelo resto da vida?
— Ruan Zhu! Como você pode ser tão egoísta?!
Ruan Zhu: “...”
Ruan Zhu foi na direção da voz e ergueu a cabeça.
Sete irmãos saíram da casa. Tinha rapazes de feições bonitas, uns radiantes e desinibidos, outros frios e distantes, outros silenciosos, outros vigorosos e imponentes...
Todos a olhavam com reprovação.
Reprovação.
Ah.
Ruan Zhu soltou, por dentro, uma risada gelada e, ao levantar o rosto, disse com ironia:
— Egoísta? Sem coração?
— Então me digam: de onde veio o dinheiro para os estudos de vocês na cidade e para a faculdade?
— De onde saiu o dinheiro para as camisas de tecido fino que estão usando?
— E o dinheiro para tudo o que vocês comem, bebem e usam todos os dias, veio de onde?
— Egoísta eu?
— Egoísta a ponto de sustentar um bando de ingratos?!
Cada palavra era uma ironia; cada palavra entrava como agulha.
Os sete irmãos mudaram de cor.
— Irmã, não fala mais, buá buá