No caminho para dar aulas voluntárias nas montanhas de Daliang, Zhao Jun foi surpreendido por uma tempestade e um deslizamento de terra, e acabou atravessando o tempo, despertando nos jardins do palác
Ano terceiro do reinado Jingyou da Grande Canção, verão, quarto mês, pavilhão dos fundos do Palácio Zichen.
O recinto era amplo; de ambos os lados da porta principal erguia-se luminárias palacianas em forma de tartaruga e garça, símbolos de longevidade. Duas donzelas do palácio, do outro lado, seguravam lanternas. Por todo o salão, a luz suave e amarelada das velas pairava, envolvendo o espaço em delicado fulgor.
Ao centro da sala, repousava um braseiro trípode de porcelana verde-acinzentada, de onde se erguia um fio de fumaça azulada, espalhando um vago aroma de incenso.
Um jovem trajando uma longa túnica de seda azul-clara sentava-se numa cadeira de mestre em madeira de pereira. Tinha, ao que parecia, vinte e sete ou vinte e oito anos; o rosto juvenil e belo, a compleição magra como um salgueiro recém-brotado. Apoiado na face com a mão direita, contemplava, um tanto absorto, a fumaça azulada que se elevava do incensário diante de si.
Frente ao jovem, estavam em respeitosa postura alguns anciãos de mais de cinquenta ou sessenta anos, todos de barbas e cabelos brancos, ou entremeados de fios grisalhos, tão solenes quanto imponentes.
— Majestade, segundo está registrado neste livreto de “Pequenas Histórias Curiosas da História”, sucedem-se as dinastias: Xia, Shang, Zhou, Qin, Han, Wei, Jin, dinastias do Norte e do Sul, Sui, Tang, as Cinco Dinastias e Dez Reinos, Song, Yuan, Ming, Qing...
Um dos anciãos, de rosto largo e expressão austera, postou-se diante do jovem e disse em tom grave:
— Também está aqui a história de Sima Guang,