O caos dos deuses, a proliferação das criaturas sinistras. Num mundo onde todos podem sofrer mutações assustadoras, um jovem de origem humilde emerge do antigo cemitério, portando um espaço misterios
O vento soprava com uma força descomunal, como se feras selvagens uivassem, fazendo as árvores vibrarem de medo. Na noite escura, sem vestígios de lua, o antigo cemitério abandonado era tomado por ecos ocasionais de galhos batendo, soando como sussurros dos mortos.
Três pessoas caminhavam entre as lápides, seu semblante tranquilo, curiosos diante da escuridão, sem demonstrarem o menor sinal de temor.
À frente, seguia um homem robusto de meia-idade, marcado pela serenidade que só o tempo concede. Vestia um terno negro impecável, com uma camisa branca à mostra e, no peito esquerdo, pendia um estranho amuleto, semelhante a um olho escarlate.
— Chefe, tem certeza que o novo Escolhido vai aparecer nesse fim de mundo? Esse cemitério não tem nada de especial — resmungou a mulher que vinha por último, franzindo o cenho enquanto lançava um olhar de desagrado ao local em ruínas. Seu nariz delicado se contraiu, como se captasse um odor repulsivo, e ela abanou a mão, ainda mais incomodada.
O homem mais jovem, ao centro, ajustou os óculos de armação escura e passou a explicar a origem daquele cemitério.
— Este antigo cemitério servia aos vilarejos próximos, onde sepultavam seus mortos. Como havia muitos corpos, há cerca de um século registraram ocorrências estranhas. Por sorte, nas últimas décadas, com a remoção das casas, o número de sepultamentos diminuiu e as coisas se acalmaram.
— Não é de admirar esse cheiro de podridão — comentou a mulher, tirando um lenço do bolso, rasgando-o em dois e tampando as narinas, deixando claro o que pensava.