Renascimento, protagonista poderosa, destino do país, intrigas políticas. Antes dos dezessete anos, Shen Yu era a filha legítima de uma família militar, destemida no campo de batalha. Depois dos dezes
Neste inverno, a neve caía com uma intensidade incomum. No pátio, o acúmulo já era profundo, e os criados, incapazes de dar conta da limpeza, viam a trilha recém-aberta para passagem dos moradores cobrir-se, num piscar de olhos, por uma nova camada de flocos miúdos e brancos.
O estúdio não ficava longe. Sem levar consigo nenhuma criada, Shen Yu avançava lentamente sob a galeria, atravessando um arco; por detrás da parede, chegava-lhe aos ouvidos o murmúrio de criadas em conversa ociosa.
— O jovem senhor enfim trouxe de volta a senhorita Lin, uma pena que aquela união feita pelos céus agora se resuma a torná-la apenas uma concubina — disse uma.
— Mas a jovem senhora...
A criada deixou transparecer escárnio em sua voz:
— Ela, filha de um criminoso, e ainda assim não se envergonha de ocupar o posto de esposa principal.
— Não se deve falar assim. A jovem senhora é boa, e tanto o pai quanto o irmão tombaram em batalha; isso, ao menos...
— Ao menos o quê? Se não fosse pelo julgamento equivocado do pai dela, cem mil soldados de Da Zhou não teriam encontrado a morte na fronteira.
— Só o nosso jovem senhor é bondoso. A família Shen já caiu em desgraça, e mesmo assim ele tomou para si aquela doentinha.
Do lado de fora, o vento e a neve continuavam. A corrente fria parecia infiltrar-se até os ossos.
Shen Yu sentia o coração ainda mais gélido. Sorriu amargamente.
Então, até mesmo os criados sabiam, há muito, que Jiang Lianzhi pretendia tomar uma concubina. Ridículo era ela, a esposa legítima, ter tomado conhecimento a